Candidato defende ‘bairrismo’ de Senador Canedo em voto para Alego

16 de setembro de 2026 às 15:53

Para Samuel Carvalho, concentração de votos em candidatos diretamente comprometidos com temas como expansão urbana e Reforma Tributária devem ser favorecidos por votantes locais

Com mais de 175 mil habitantes estimados, Senador Canedo é o município brasileiro nessa faixa populacional que mais cresce no Brasil, segundo o IBGE. A cidade possui um colégio eleitoral de mais de 95 mil eleitores. Embora figure entre os principais centros urbanos goianos, a cidade tem dificuldades para aumentar seu nível de representação política na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

Os dados referentes às últimas quatro Legislaturas refletem esse fenômeno. No período 2011-15, o município conseguiu eleger Misael Oliveira (PDT) ao conceder-lhe 3.185 de seus 19.973 votos. A cidade perdeu essa representação mais direta no parlamento goiano, em vista da eleição de Misael para prefeito do município logo no início de seu mandato, em 2012. Seu suplente, Simeyzon Silveira (PSD), nome não diretamente ligado às bases canedenses.

Na Legislatura seguinte (2015-19), o município permaneceu sub-representado em face de sua população ao eleger apenas um nome com bases diretamente estabelecidas em seu território. Ségrio Bravo (PROS) conseguiu se eleger com 8.607 votos, 4 mil deles originados do município.

A partir de 2019, Júlio Pina, então no PRTB, passou a representar Senador Canedo. No período 2019-23, a cidade foi responsável por 5.292 dos 13.148 votos obtidos pelo parlamentar. Pina foi o único deputado estadual por Senador Canedo a conseguir se reeleger em 20 anos, já pelo SOLIDARIEDADE, ao vencer as eleições para a Legislatura 2023-27 como o segundo mais votado no município, que lhe concedeu 4.442 dos 21.243 votos.

Para o candidato a deputado estadual Samuel Carvalho (Republicanos), a sub-representação de Senador Canedo na Alego se deve, sobretudo, a estratégias equivocadas de alocação de candidaturas, aliadas à localização da cidade. A começar pela dificuldade dos parlamentares em terminarem os mandatos. “Um exemplo é o do Misael, que ganhou a eleição para prefeito da cidade com apenas um ano de atividade parlamentar. Em outros casos, os nossos nomes assumem os cargos e logo depois assumem outras ocupações, por exemplo, em secretários”, avalia.

Outro fator apontado por Carvalho é a tendência à pulverização de candidaturas. “Nas últimas eleições em 2022, por exemplo, nós tivemos 10 candidaturas daqui. Os votos foram divididos. O candidato mais bem votado da cidade, o Divino Lemes, traçou mal sua estratégia de buscar votos fora de Senador Canedo e não teve nem 9 mil votos”, observa.

Fator “metropolitano”

Além disso, Samuel também aponta o que ele chama de “fator metropolitano” como motivador da sub-representação de Senador Canedo. “Os candidatos de Goiânia e Aparecida costumam vir para Senador Canedo e tirar votos da cidade com um discurso de trabalho pelo favorecimento de toda a Região Metropolitana. Não acho que seja ilegítimo, mas chega uma hora em que esse candidato, se for eleito, vai favorecer a sua base mais direta, e deixar Senador Canedo em segundo plano”, salienta.

Por isso, o candidato defende a manutenção dos votos dentro do município, com a concentração das escolhas nas candidaturas mais promissoras. “O eleitor canedense precisa escolher candidatos mais comprometidos com a solução dos problemas mais diretamente ligados a Senador Canedo. Temos problemas sérios para resolver, das consequências da Reforma Tributária aos problemas gerados por essa expansão urbana incontrolável. Náo tem outra saída: é abraçar o bairrismo de forma entusiasmada”, conclui.